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Biografia do prefeito Faria Lima |
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Acordava às 5 da manhã e lia os principais jornais. Às 7 ligava para a casa dos secretários e assessores comentando as notícias e a agenda do dia. Às oito horas já estava no gabinete despachando, quando não estava no helicóptero amarelo que o transportava para os canteiros de obras. Das empreiteiras cobrava ao pé da letra o respeito aos prazos contratados. Sua autoridade era sentida em todos os níveis da administração municipal. Todas as terças-feiras havia um clima especial de expectativa na burocracia. Era o dia dos "despachos das vilas", quando recebia as SABs (Sociedades de Amigos de Bairros) em rodízio e escutava suas reivindicações, acompanhado pelos secretários e administradores regionais. Através destas audiências Faria Lima avaliava o desempenho da máquina administrativa através do relato direto da comunidade e tomava as medidas necessárias imediatamente. Quando se constatava negligência ou mau comportamento de funcionários, estes eram prontamente alertados ou punidos, se assim fosse o caso. Sua fama de bom administrador foi revelada inicialmente como diretor do Parque da Aeronáutica de São Paulo, quando ainda era militar da ativa, chamando a atenção do então governador Jânio Quadros que o convidou para presidir a VASP, na época pertencente ao estado. A companhia aérea, que estava combalida pela administração de Adhemar de Barros, foi transformada rapidamente em uma empresa eficiente. Diante desta façanha, Jânio não demorou a convidar o Brigadeiro apara ser Secretário de Viação e Obras Públicas. Foi confirmado no cargo por Carvalho Pinto quando este sucedeu a Jânio, repetindo uma gestão exemplar. A Prefeitura foi portanto o coroamento de sua carreira, uma das mais marcantes da administração pública brasileira. Foi ele quem terminou a estruturação de São Paulo como metrópole industrial, um ciclo iniciado com o prefeito Pires do Rio (1926-30), e preparou a transição para a metrópole dos serviços, seja deixando um plano diretor, o Plano Urbanístico Básico, seja iniciando o Metrô, duas antigas aspirações da cidade sempre adiadas. A maior característica de sua gestão foi a preocupação viária, com destaque para os 45 km das marginais do Tietê, a interligação das avenidas 23 de maio e Rubem Berta, 51 viadutos e pontes, além do alargamento de diversas ruas e avenidas, entre elas a Faria Lima (na época rua Iguatemi) e a Rebouças. Atuou também em projetos sociais : foi o primeiro prefeito a atender a população de 0 a 4 anos, criando as primeiras creches municipais e subsidiando algumas particulares já existentes. Construiu também escolas, hospitais e postos de saude. Na área cultural deixou sua marca ao concluir o prédio do Museu de Arte de São Paulo na avenida Paulista, inaugurado pela Rainha Elizabeth II da Inglaterra durante visita oficial. Em Chegou ao final de seu mandato no início de 1969 com uma popularidade jamais igualada : uma pesquisa apontou uma avaliação em que 97% dos paulistanos o consideravam bom ou ótimo prefeito. A Constituição de 1967, imposta pela ditadura militar ao Congresso, havia criado um mandato tampão de mais dois anos para os prefeitos, com o intuito de fazer coincidir os mandatos estaduais e municipais, além de repor nas mãos dos governadores a indicação dos prefeitos das capitais. O governador Abreu Sodré estava inclinado a indicar Faria Lima, mas cedeu às pressões do presidente Costa e Silva e nomeou Paulo Salim Maluf (1969-71), um ex-diretor da Associação Comercial de São Paulo a quem Costa devia alguns favores. Conteúdos relacionados: Fernando Henrique Cardoso | Tancredo Neves | Itamar Franco | Juscelino Kubitschek | Rui Barbosa | Washington Luís | Ramos de Azevedo | José Sarney | Tancredo Neves | Eduardo Suplicy |
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