Erguida entre os anos de 1926 e 1938, a Estação Júlio Prestes era, ao lado das mansões e grandes edifícios que surgiam em São Paulo, uma mostra do poderio econômico da produção cafeeira do Estado.
Construída com estrutura de concreto e alvenaria de tijolos, no estilo Luis XVI, sobrecarregado com esculturas e detalhes, a Júlio Prestes seria a estação inicial da Estrada de Ferro Sorocabana, a principal veia de transporte de café em São Paulo. Ocupando uma área total de 25 mil metros quadrados, seu projeto arquitetônico, de autoria de Cristiano Stockler das Neves e Samuel das Neves, chegou a ser premiado no III° Congresso Panamericano de Arquitetos, de 1927.
No entanto, o prédio foi, aos poucos, vivenciando fatores que implicariam na sua própria decadência.
O fim da era de ouro do café, somado à degradação da região central de São Paulo e do transporte ferroviário no Brasil, levaram a Estação Júlio Prestes ao esquecimento, aos maus tratos e, mais tarde, ao semi-abandono. Subdividido em três, parte de seu prédio abrigou, durante o regime militar (vigente no Brasil entre os anos de 1964 e 1983), o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) um órgão governamental que, como diz o nome, mantinha a ordem política e social do estado de São Paulo (na prática, cuidava da repressão de opositores ao regime). Outra parte do edifício seguiu destinada ao transporte, sendo utilizada pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), o que ocorre ainda nos dias de hoje.
Por muitos anos utilizada como estação para trens (tipo de locomoção não muito popular no Brasil) ou como delegacia, em um bairro que por um tempo ficou marcado pela criminalidade, a edificação acabou por se transformar em mais um monumento perdido no caos paulistano.
Mas apenas em 1990 a situação começou a mudar. O DOPS há muito que havia sido desativado e, ao lado de projetos de revitalização do centro, vindos não só da Prefeitura do Municipio de São Paulo, mas também do Governo do Estado, surgiu a proposta de se recuperar a estação e transformar parte de seu belo edifício na sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
Dezoito meses de obras que aliaram centenas de operários, técnicos especializados, procedimentos artesanais de longa tradição e as mais modernas tecnologias transformaram a área central da estação (um enorme hall em forma de caixa de sapatos, com pé direito de 24m) em uma das mais belas, modernas e completas salas de concerto do mundo: A Sala São Paulo. A coexistência com uma estação ferroviária requereu uma laje flutuante. Inaugurada em 1999, a sala ainda possui um forro móvel (motorizado, composto por diversos blocos independentes), que permite à acustica do local uma adaptação aos mais diversos tipos de música a serem executados. É possivel testemunhar a beleza do prédio em dias de concertos, ou através de visitas previamente agendadas.
Estação Júlio Prestes - Sala São Paulo
Maiores informações no telefone (11) 3351-8000
Rua Mauá, 51
Antiga Estação Júlio Prestes
CEP 01028-000
São Paulo-SP
Conteúdos relacionados:
Museu da Língua Portuguesa | Jardim da Luz | Jardim Botânico
| Villa Lobos
| Parque da Aclimação |
Largo do Riachuelo |
Largo Paissandú |
Largo São Bento
|