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Rua Direita |
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A rua Direita que naquele tempo já se chamava Rua Direita, talvez porque dentre as vielas tortas de então, era a única que fazia uma linha reta, partindo da boca do primitivo Viaduto do Chá, seguindo até o Largo da Sé de onde já se descortinava a vetusta torre da primeira catedral. Essa velha igreja, construída quase na beirada da rua 15 de Novembro e hoje já de há muito demolida, foi por muito tempo a grande casa de Deus para a província piratiningana. Ali, os magnatas da política e os grandes do clero realizavam as suas festas máximas em louvor aos seus padroeiros. O edifício datava de 1555, reconstruído duas vezes, em 1745 e 1764, até que em 1911 viesse a ser definitivamente derrubado para dar lugas à nova e imponente catedral moderna. Quem não se lembra dos "Quatro Cantos", que era como se designava o encontro das quatro esquinas do Triângulo, (triângulo esse que apesar de triângulo tinha quatro esquinas, formadas pela junção das ruas São Bento e 15 de Novembro. Os remanescentes idosos, hoje, devem lembrar-se com emoção do Hotel França, do Café Acadêmico e da Chapelaria João Adolfo, tidos como centro da juventude dourada da época. E eram casarões que bem definiam a arquitetura colonial de então. Mas, desejando aprofundar as origens da rua Direita, nós teríamos de rever, em 1668, o inventário deixado por um certo Estevão Furquim, que fala de uma rua "que vai para Santo Antônio", e isso porque no meio do caminho havia sido erguida uma pequena capela de louvor ao popular Santo Antônio de Pádua e de Lisboa. Essa ermida,por incrível que pareça ainda está até hoje intacta no seu velho e primitivo aspecto. É a atual igreja de Santo Antonio, da praça do Patriarca, ligeiramente reformada e repolida, mas no conjunto é a mesma construção d'antanho. Afonso Sardinha, em seu testamento, já mencionava a Igreja de Santo Antônio, ali pelos fins do século XVI. Por ali passava a estrada do Colégio dos Jesuítas que conduzia depois ao "sertão". Esse "sertão" era encontrado logo, descendo a ladeira Dr. Falcão para o Largo do Piques. Lá embaixo o mato crecia de tal forma que parecia o princípio de um matagal desconhecido. Desembocava a rua Direita na esquina da rua 15 de Novembro, naquele tempo rua da Imperatriz. Nela sucediam-se as lojas de armarinho expondo modelos de alta costura, sombrinhas e bugigangas. Recordação de muitos é a Casa Baruel que longos anos ficou naquela esquina como uma das mais conceituadas no gênero. Fonte: São Paulo de Antigamente - Manoel Vitor - Grafistyl Editora Gráfica Ltda.Conteúdos relacionados: História | São Paulo Antigamente | Viaduto do Chá | Catedral da Sé | Rua 15 de Novembro | Rua São Bento | Praça do Patriarca | Colégio dos Jesuítas |
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