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Rua São Bento |
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Acreditamos que essa declaração seja verdadeira, considerando-se a probidade com que Frei Gaspar externava os seus pensamentos e as suas decisões. Mas o fato real é que esse nome é que esse nome de Martim Afonso jamais apareceu na documentação da antiga Rua São Bento quando vasculhada pelos interessados na matéria. Assim, podemos estar certos de que o nome de São Bento para a rua, foi uma resultante indireta relacionada com a ermida que então havia sido levantada num dos seus extremos que se abria em largo. E aqui confirmamos isso com o depoimento de Frei Mateus de Ascensão alegando que naquele tempo o local era mencionado como a "rua que vai para São Bento". E isso perdurou por três séculos e meio. Todo mundo dizia - "a rua que vai para São Bento". E por que São Bento? Foi a 15 de abril de 1600. E nessa época, o referido Frei Mateus de Ascensão, que era o prior da Casa de São Bento, uma entidade religiosa que acabava de ser fundada na Vila de São Paulo, requereu aos oficiais da câmara, a "concessão de um pedaço de chão", onde pudesse construir um mosteiro para acomodar os frades da Ordem. A concessão era uma coisa natural, considerando que os frades iriam trazer movimento espiritual intenso e progresso material para a localidade. Tudo ali era barro e lama, descambando aquele fim de rua num barranco que se despenhava no Vale do Anhangabaú. Não era difícil, pois, à Edilidade atender ao pedido de Frei Mateus da Ascensão, o primeiro pior da Ordem Beneditina. E acontece que o pedido do velho frade se apoiava naturalmente no fato de ali já haver sido construída a ermida. A intenção da Ordem era aproveitar aquela oportunidade e em tornoda capelinha desenvolver os seus propósitos de expansão. Ali, pois, onde hoje se ergue o suntuoso mosteiro de São Bento, de linhas tão belas e interior tão bem decorado, havia apenas, em 1600, a tosca e pobre ermida do Frei Mateus de Ascensão. E sabe como foi que a Câmara designou a posição do local para o efeito da adoção? "um pedaço de chão, que partindo da propriedade de Gonçalo Madeira teve uma banda e outra limitando com Jorge e João, e com o riacho que corre por debaixo da Vila, chamado Anhangabaú, e no alto, e por cima de...etc.". E assim foi com essa designação topográfica que os frades de São Bento receberam esse solo que hoje, na atual opulência da Metrópole é um chão rico de alto preço. Claro que hoje tudo está ali transformado mercê dos trabalhos do Metrô que alcançaram principalmente aquela zona com o desaparecimento provisório do Largo até que voltem os contornos já então com novo aspecto. E para completar a nossa informação, é justo mencionar que aquele que mais ajudou a se concretizar a doação foi o escrivão Belchior da Costa que, simpatizando com o caso, logo declarou ser verdade quanto alegava o bom frade "a respeito do serviço de Deus Nosso Senhor e de seu servo, o bem-aventurado São Bento". O chão foi dado com a declaração de "forro livre e isento de todo o tributo devido a Câmara, até o fim do mundo". Assinaram os documentos os patriarcas Baltazar de Godói e João Maciel, além dos vereadores , do Juiz ordinário Gaspar Vaz e do procurador do Conselho, o respeitável Sr. João Fernandes. Fonte: São Paulo de Antigamente - Manoel Vitor - Grafistyl Editora Gráfica LtdaConteúdos relacionados: História | São Paulo Antigamente | Viaduto do Chá | Catedral da Sé | Rua 15 de Novembro | Rua São Bento | Praça do Patriarca | Colégio dos Jesuítas |
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