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Rua Vergueiro |
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Por que Vergueiro? Porque esse era o nome de quem lhe deu a placa pelas esquinas, da Liberdade até quase o Jabaquara. Primeiro a história da rua: Lá pelo ano de mil oitocentos e tantos, havia uma grande lagoa espraiada no chamado Sítio do Sertório, que ocupava grande parte do terreno, com face para o antigo "Caminho do Carro", que era então a estrada que ia para Santo Amaro. Esse sítio foi vendido a uma certa d. Alexandrina de Moraes que dele fez uma excelente chácara de repouso. Dessa agoa surgia uma das cabeceiras do Anhangabaú que não tinha muita água, mas tinha. E sabe você agora quais as ruas que estavam dentro ou por fora dessa chácara? Pedroso, Maestro Cardim, Paraíso, etc. tudo aquilo que hoje forma o entrocamento da Liberdade com o Paraíso. E desse entrocamento que precisou continuar para mais além, surgiu, em seguimento à rua da Liberdade, a atual Rua Vergueiro. Data do século XIX a chácara de d. Alexandrina de Moraes, origem da rua Vergueiro. Mas por que Vergueiro? Porque foi preciso, naquele tempo, consagrar-se a memória de um dos mais ativos políticos do Império, Niclolau de Campos Vergueiro. A rua indica apenas o nome de Vergueiro, mas é ele. Figura destacada do tempo da Regência, esse Nicolau era português de Valvario. Bacharel da célebre Universidade de Coimbra, veio para o Brasil após formar-se, e aqui ficou encantado pelos problemas brasileiros. Chegou logo a deputado das Cortes de Lisboa, pela província de São Paulo e muito discursou a favor de sua nova pátria, o Brasil. Foi contemporâneo de Diogo Feijó, Antonio Carlos, Silva Bueno e outros elementos da política local. Vergueiro, decidido, corajoso, irriquieto, continuou uma vida toda de luta. Acabou participando com brilho da revolução de 7 de abril de 1831 que provocou a abdicação de D. Pedro I. Nesse tempo, Vergueiro já era senador e chefe intelectual dos conchavos que provocaram a amotinação vitoriosa. E é oportuno mencionar aqui uma outra figura que estava sempre ao seu lado e que possuía um jornaleco intitulado"Aurora Fluminense" - o grande advogado Evarista da Veiga. Homem de um físico atraente, onde uma cabeleira branca bem formada lhe fazia excelente adorno, o velho Vergueiro era visto sempre muito elegante, com aquele colarinho vertical, tipo Padre Feijó, presente a todas as reuniões importantes. Foi também fazendeiro e possuiu aqui em São Paulo extensas terras de lavouras, onde concedia a seus colonos trabalho livre com parceria. Aí está um outro pedaço da velha São Paulo, quando o "Caminho de Carro" era assim chamado porque só nele podiam andar os carros mais avantajados. E esse caminho foi a origem de uma São Paulo moderna que hoje se dilata até Santo Amaro; que canalizou o Anhangabaú e secou a lagoa da chácara de d. Alexandrina de Moraes. Liberdade, Paraíso, Vergueiro, Saúde, Jabaquara, naquele tempo era o limite do povoado. Veio vindo o progresso, o braço do imigrante ajudando, e de repente todo aquele cenário se transformou, mudando o roteiro e a demarcação das chácaras e dos sítios de onde iam surgindo as vielas e posteriormente as artérias indispensáveis ao desenvolvimento. Fonte: São Paulo de Antigamente - Manoel Vitor Grafistyl - Editora Gráfica LtdaConteúdos Relacionados: Casa das Rosas | Av. Paulista | Casa do Grito | Fundação da Cidade | Arouche Largo | Memorial da América Latina | Avenida Tiradentes | Avenida São João | Banco de Imagens de São Paulo |
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