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Histórico de Valença [Bahia]

Histórico de Valença [Bahia]

Antes da chegada dos portugueses ao Brasil, o território do Município era habitado pelos índios Tupiniquins. A partir de 1534, ano em que D. João III, Rei de Portugal, dividiu o Brasil em Capitanias Hereditárias, suas terras foram incorporadas à Capitania de Ilhéus, sob a jurisdição da Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu, local onde foi assentado o primeiro povoamento. Expulsos pelos índios Aimorés da parte próxima a Ilhéus, os donatários da Capitania, à frente Jorge Figueiredo Correia e seu tenente Ramiro, estabeleceram-se no arquipélago da atual Cairu, mas somente três décadas depois a paz com os índios permitiu a colonização de todo o litoral entre Guaibim e Camamu.

Dentre os primeiros moradores de Valença, cabe destaque para a figura do Sr. Sebastião Pontes, homem rico, possuidor de engenhos no Recôncavo, que realizou muitos investimentos no local, articulando-se a região com o Recôncavo e Salvador pela primeira vez, a exemplo do engenho de cana-de-açúcar construído próximo à primeira cachoeira do rio Una; do curral localizado defronte à Ilha de Tinharé e que até hoje empresta seu nome a uma das atrações turísticas de Valença – a Praia da Ponta do Curral - e de uma igreja sob a invocação de São Gens, com três capelas de abóbadas. O progresso da Região, entretanto, durou pouco tempo, devido à deportação do Sr. Sebastião Pontes para Portugal – para cumprir pena na cadeia do Limoeiro em decorrência de um litígio pessoal – o governo português mandou ao Morro de S. Paulo um navio de guerra, com pretexto de consertar avarias.

O seu comandante visitou Pontes, no Engenho de Una e, traiçoeiramente, convidou-o para uma visita ao navio, sendo preso quando almoçava e inteirado da verdade, metido a ferros e transportado para Lisboa, passando seus últimos dias na cadeia e não mais voltando ao Brasil. O motivo da prisão de Pontes teria sido a tortura de um mascate de quem o conquistador havia tirado a mulher. Por se considerar poderoso a ponto de se auto proclamar rei do Brasil, Sebastião de Pontes colecionou amigos e muitos inimigos, dentre eles o humilhado mascate que o denunciou ao rei de Portugal. Após a deportação de Pontes, cessaram os investimentos e as terras do Município se viram invadidas pelos ferozes Índios Aimorés.

Não obstante o povoamento que surgia em torno da Capela de Nossa Senhora do Amparo, e que deu origem a Valença, novos ataques dos Aimorés levaram a população a ocupar as Ilhas de Tinharé-Cairu-Boipeba e formar povoações. Do outro lado do canal, Valença acabou sendo protegida pela Coroa com permanência de soldados no local, guarnecendo a extração de madeira para construção de navios da armada real e a área desmatada foi sendo ocupada pelas atividades agrícolas, notadamente a mandioca, arroz de veneza, café, pimenta ,canela e um numeroso grupo de pequenos cultivos, já na linha das especiarias. Aos poucos, os habitantes das ilhas próximas – que viviam em constantes enfrentamentos com os índios e não conseguiam plantar – foram voltando para a área, cujo núcleo de povoação se estabelecera nas proximidades da Capela de Nossa Senhora do Amparo.

A denominação "Valença" foi atribuída, segundo reza a tradição popular, por esses novos moradores, para os quais a localidade representava a solução para os seus problemas. Uma outra versão atribui a escolha desse nome ao Conselheiro Baltazar da Silva Lisboa, que na intenção de homenagear o ministro Marquês de Valença, elevou o povoado à categoria de Vila, em 10.06.1789, dando-lhe o título de Nova Valença. Em 23.01.1799 foi criada a Vila de Nova Valença do Santíssimo Coração de Jesus, com território desmembrado de Cairu. Nesse mesmo ano, começaram as obras de construção da Igreja do Santíssimo Coração de Jesus, concluída em 1801 e transformada em matriz da freguesia.

O seu crescimento como porto-estaleiro naval e a pacificação dos índios por bandeirantes liderados pelo paulista João Amaro Maciel Parente e pelos padres capuchinhos, fez refluir a ocupação das ilhas e redirecionar a população para o continente, desenvolvendo-se, em poucos anos, uma febril atividade agrícola para exportação.

Em 1801, Valença provê de embarcações carregadas de mantimentos e gêneros da terra a passagem da Família Real pela capital da Bahia, completando mais de 200 anos de fornecimento ininterrupto de madeira e produtos agrícolas, bem como de construção de navios para Portugal.

A região viveu os episódios da Invasão Holandesa na Bahia, em 1624, e da Independência da Bahia, quando abrigou a esquadra de Lord Cochrane, que viera combater os portugueses em 1823, tendo Valença recebido o título de "A Decidida", por sua participação ao lado de Cachoeira e Santo Amaro.

Em 1844, Valença inaugura a Fábrica de Tecidos Todos os Santos (primeira fábrica a funcionar no País movida por energia hidráulica), com 300 operários, recebendo a denominação de "Cidade Industrial de Valença" através da Resolução n.º 368, quando da visita de D. Pedro II, em 1849, para inaugurar a Fábrica Nossa Senhora do Amparo (também no ramo têxtil), posteriormente Cia. Valença Industrial e hoje Valença Têxtil. Data dessa fase o funcionamento do barco "Industrial", que transportava algodão para a fábrica e no retorno levava passageiros e carga para exportação, principalmente tecidos. É também desse período a presença de holandeses na Região com fins de colonização, no distrito de Maricoabo.

Na II Guerra Mundial, submarinos alemães torpedearam, nas costas de Valença, os navios "Itajibá"e "Irará", cujos passageiros foram salvos pelo barco "Araripe" e os feridos levados para o Hospital de Sangue, funcionando improvisadamente no prédio do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Valença, a bela "Recreativa". Por esse gesto, Valença recebeu o nome de "A Hospitaleira".

ValençaNessa ocasião, a Companhia Valença Industrial era o grande empreendimento do setor de tecidos, polarizando a vida econômica da Região.

As modificações na área de produção agrícola, que moldaram a atual estrutura de cultivos, foram decorrência, inicialmente, do próprio incentivo dos produtores, a partir dos anos 40/50, quando o segmento alimentício expandiu a sua área plantada, com destaque para a mandioca, reduzindo-se em muito as áreas com café, cana-de-açúcar e outras lavouras comercias.

Nos anos 50, os principais estabelecimentos bancários chegaram à Região e, na década seguinte, a diversificação dos cultivos passou a sinalizar a mudança do perfil produtivo regional, com a introdução do dendê cultivado, o aproveitamento das plantações nativas e a expansão do cravo-da-índia, seringueira e coco. Uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional, a Óleos Palma S/A, passou a financiar o plantio do dendê e instalou unidade de processamento do óleo em Valença, sendo seguida por outra empresa do ramo, nos anos 70.

O cacau, a pimenta do reino e o guaraná foram introduzidos na área, sob orientação da CEPLAC, e, mais recentemente, outros cultivos nobres têm surgido no Município de Taperoá, como mangustão, pupunha, mancadâmia, urucum e canela.

Também denominada de Sub-Região Policultura do Nordeste, dentro da região sul da Bahia, esta área, de fato, diversificou bastante a sua agricultura, a ponto de destacar-se das duas outras sub-regiões (Ilhéus/Itabuna e Porto Seguro).

Ao final dos anos 80, a distribuição interna dos cultivos e da pecuária nos Tabuleiros evidenciava a acentuação dessa tendência para os anos 90. A CEPLAC detectou uma diversificação de produtos no total da Região, porém especializando-se Cairu em coco e piaçava; Taperoá em cacau, café e dendê; Igrapiúna em cacau, cravo, borracha e dendê; Nilo Peçanha em piaçava, cacau, borracha e pimenta-do-reino; Ituberá em cacau, piaçava e borracha e Valença em cacau, cravo, dendê e mandioca.

A pecuária bovina representa mais de 60% do total do valor da produção animal e cerca de 40% em Taperoá e Nilo Peçanha, o que revela, também uma orientação para a especialização dentro da diversidade produtiva dos Tabuleiros.

Do ponto de vista político-administrativo, essas mudanças, em 40 anos, na economia local concorrem para o surgimento de novos Municípios. Além das antigas freguesias/cidades de Valença, Cairu, Taperoá, Nilo Peçanha (desmembrada da freguesia de Velha Boipeba) e Camamu, ocorrem as emancipações de Ibirapitanga (ex-distrito de Camamu), Teolândia (desmembrado de Taperoá) e Wenceslau Guimarães (Nilo Peçanha), entre 1961/62; no ano de 1985, foram criados Igrapiúna (ex-distrito de Camamu), Piraí do Norte (Ituberá) e Presidente Tancredo Neves (Valença).

A história regional, aliás, guarda uma coerência que ultrapassa os ciclos ocorrentes nas etapas da evolução econômica da Bahia, mostrando que Valença, embora permeável a influências externas e beneficiando-se delas para compor o seu alcance em termos de produção primária de comércio de mercadorias e prestação de serviços, manteve sempre a sua unidade territorial em estreita sintonia com seu processo produtivo, de tal sorte que o conceito de micro-região não se aplica apenas ao meio natural, expandindo-se para definir igualmente uma dinâmica interna da produção e dos modos e costumes locais, que são próprios da Região, expressando-se ao mesmo tempo e no mesmo espaço uma linha de inserção inter-regional de forte introversão, mantenedora de uma identidade interna no campo sócio-econômico que se confunde com fronteira física de Valença, e uma outra vertente extrovertida desde o período colonial, com vínculos amplos na contigüidade territorial do Estado, através do sistema de transporte rodoviário, e na direção da economia internacional, através dos portos de Valença, de Salvador e de Ilhéus.

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