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Memorial do Imigrante



O Memorial do Imigrante, órgão vinculado ao Departamento de Museus e Arquivos, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, foi criado em 06 de abril de 1998 com o objetivo de reunir, preservar e expor a documentação, memória e objetos dos que vieram para o Brasil em busca de esperanças, aventuras, fortuna ou simplesmente fugindo de uma situação difícil nas suas pátrias de origem, de meados do século XIX até os dias de hoje. Ele é composto pelo Museu da Imigração, por um Centro de Pesquisa e Documentação, além do Núcleo Histórico dos Transportes e Núcleo de Estudos e Tradições. A pedra angular deste complexo é o Museu da Imigração, existente desde 1993, havendo um compromisso deste com as novas gerações, que não dão a devida importância às contribuições, tanto históricas como culturais, dos imigrantes em São Paulo pela simples razão de desconhecerem suas origens. Instalado em um dos poucos edifícios centenários da cidade de São Paulo, o Memorial ocupa parte da antiga Hospedaria de Imigrantes, um imponente complexo de prédios, construídos entre 1886 e 1888 no Bairro do Brás, com a finalidade de receber e encaminhar ao trabalho, na lavoura, os imigrantes trazidos por conta do Governo de São Paulo. Essa Hospedaria veio substituir a anterior, que funcionava desde 1882 no Bom Retiro, com capacidade para somente 500 pessoas e havia se tornado insalubre, em virtude das epidemias que assolavam aquele bairro. Com o aparecimento das grandes indústrias no início do século XX o perfil da mão–de–obra imigrante ganharia mais uma faceta, surgindo uma classe operária numerosa, forte e combativa.

Este processo, conhecido como imigração massiva, já ocorria desde a metade do século XIX, portanto não foi iniciado com a abolição da escravidão, como se propala erroneamente. O fim da escravidão, na verdade, colocou em xeque o sistema de trabalho nas fazendas, tornando irreversível a necessidade de trabalhadores para as emergentes plantações de café. De 1882 a 1978, passaram pelas Hospedarias mais de 60 nacionalidades e etnias, num total de mais de 2,5 milhões de pessoas, todas devidamente registradas em livros e listagens.

O conjunto arquitetônico foi tombado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico), em 6 de maio de 1982. A musealização dos espaços da antiga Hospedaria é a melhor forma de preservar este patrimônio arquitetônico e cultural. Finalmente, em 1986, foi criado o Centro Histórico do Imigrante, responsável pela guarda de toda a documentação oficial da Hospedaria. No ano passado foi criada a Associação de Amigos do Memorial do Imigrante, uma entidade civil sem fins lucrativos, que também é responsável por algumas atividades desenvolvidas na instituição.

O Memorial do Imigrante possui, praticamente, todos os registros das pessoas que passaram pela antiga Hospedaria. São Listas de Bordo dos navios que atracaram em Santos trazendo imigrantes, Livros de Registros da Hospedaria dos imigrantes patrocinados, além de cartas de chamada (aonde um imigrante já instalado assumia as despesas e responsabilidades pela vinda de conhecidos e parentes), processos de núcleos coloniais, documentos pessoais doados por alguns imigrantes ou seus descendentes, cerca de 3.000 fotografias e igual número de livros e revistas.

Esse acervo, de valor incalculável para a história e memória do Estado de São Paulo e praticamente único no mundo, está parcialmente organizado. Os Livros de Registro da Hospedaria já se encontram parcialmente informatizados (22%) e a busca por informações é feita em questão de segundos pelos próprios visitantes. Porem, para a maioria dos pedidos de dados da chegada de imigrantes a consulta é feita manualmente (por um grupo de especialistas), o que não impediu que tivessem sido emitidas, no ano passado, cerca de 4.600 Certidões de Desembarque, um documento oficial com essas informações e reconhecido por consulados.

No âmbito dessas pesquisas o Memorial atende ao público em geral, especialmente imigrantes e seus descendentes, além da Polícia Federal, Poder Judiciário, Cruz Vermelha Brasileira, consulados e embaixadas. Pesquisadores nacionais, diversas ONGs e acadêmicos de universidades estrangeiras tem naqueles documentos uma fonte de referência para seus trabalhos e livros, conhecidos internacionalmente. Também estudantes de todos os níveis de ensino buscam o Memorial para desenvolverem trabalhos escolares, contando para isso com uma Biblioteca especializada na temática de Imigrantes e Imigração.

O Memorial conta com várias salas de exposição. A Exposição Permanente mostra todo o processo imigratório, desde a viagem, chegada na Hospedaria, ida para as fazendas e núcleos coloniais, finalizando com a integração do imigrante na sociedade. A São Paulo antiga simula uma rua daquela cidade que era conhecida como "da garoa" e era chic fazer o footing olhando as vitrines com as novidades de Paris. A Sala da Navegação, conta com um globo com as principais rotas de imigração para São Paulo, e a ambientação de uma instalação que simula o convés de um navio. A sala Ambientes da Hospedaria mostra as atividades, ambientes e móveis da antiga Hospedaria de Imigrantes. A exposição Com o suor de seu rosto demonstra a importância do trabalho do imigrante nas cidades, implantando novas técnicas e trazendo outras formas de encarar.

O Memorial possui também jardins, pátio interno, auditório (cerca de 100 lugares) e uma "fazenda de café", onde o público tem contato com um pequeno cafezal e objetos usados nas plantações, além de 2 exposições itinerantes, uma sobre o Processo Imigratório e outra sobre a Greve Geral Anarquista de 1917, que podem ser solicitadas diretamente à diretoria. O setor de iconografia fornece imagens para produções de jornais, livros e peças publicitárias, enquanto o setor de história oral continuamente faz gravações de depoimentos de imigrantes em vídeo, sobre suas vidas e memórias, com um acervo de mais de 400 entrevistas.

Passeio de Maria–Fumaça e de Bonde no Memorial do Imigrante Devido a antiga estação da Hospedaria de Imigrantes, construída no final do século XIX, ter sido demolida por volta de 1960 e edificado o atual edifício no lugar, não havia o que restaurar; desta forma buscamos uma simulação do original, refazendo a cobertura da plataforma com tesouras de madeira e telhas francesas, além de revestir a fachada com tijolos "de época", conseguidos em demolições de casas do início do século. Esta preocupação com a memória do transporte, peça fundamental do desenvolvimento do Estado, juntamente com o café e a imigração, levou o Núcleo Histórico dos Transportes a criação de mais um espaço expositivo, no térreo do edifício, onde é tratada a "Viagem do Imigrante", desde a saída de seus países de origem, a viagem de navio, o desembarque em Santos e o destino na Hospedaria de Imigrantes, com fotos, objetos e relatos de alguns imigrantes.

Há também a recuperação de carros (o termo vagão é usado quando se trata de transporte de carga) de madeira, da antiga São Paulo Railway. Dois deles estão restaurados, sendo um carro de bagagem, correio e chefe de trem de 1914 e outro de passageiros, 2ª classe, de 1931, onde o visitante poderá ter a sensação de seus antepassados, a bordo do trem. As principais atrações ficam por conta da Pacific 353, a "Velha Senhora", uma locomotiva a vapor Baldwin de 1927, a maior existente no Brasil, que continua funcionando, capaz de puxar pequenas composições; e a No 5, a "Marta", outra locomotiva Baldwin de 1922, recém restaurada e pronta para ajudar–nos num velho sonho, fazer um passeio turístico, saindo do Memorial do Imigrante e indo até a Estação da Luz. Este passeio ainda depende de entendimentos entre as empresas usuárias da malha ferroviária, a ABPF e o Memorial, além de equipamentos de segurança para uso daquela linha.

Uma outra atração é o bonde, que faz o trajeto do Memorial à estação Bresser do Metrô, ida e volta, construído pela empresa inglesa Hurst Nelson, em 1912, e que pertencia a "The City of Santos Improvements Company".

A composição ferroviária (locomotivas e dois vagões) e o bonde estão funcionando todos os domingos e feriados, das 10:00 às 17:00 horas, sendo operadas por membros da ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária – Regional São Paulo). É cobrada uma taxa de manutenção de R$ 4,00 (R$ 2,00 para cada meio de transporte), empregada para a recuperação de mais dois carros de passageiros (de 1ª classe) e outra locomotiva a vapor. O trajeto do trem é de aproximadamente 1000 metros, no ramal do Memorial, durando cerca de 10 minutos, partindo e chegando a cada 20 minutos (exceto no horário de almoço) na plataforma da estação.

Uma atividade importante para a memória dos transportes é o Encontro de Carros Antigos, realizado nas dependências do Memorial, reunindo colecionadores e apreciadores de marcas famosas e raras de automóveis, uma "paixão nacional" desde os tempos de nossos avós.

O Memorial do Imigrante é uma justa homenagem aos homens e mulheres, que com seus sonhos, vontade de vencer e muito trabalho, transformaram São Paulo e o Brasil. Os descendentes dessas pessoas estão em todos os lugares e em todas as atividades. Cada esquina, cada fábrica, cada escola possui um pouco da cultura de vários lugares do mundo... e todos, ao se despedirem, mandam um Tchau (ciao), mas poucos sabem que essa palavra é uma singela saudação italiana.

Funcionando à Rua Visconde de Parnaíba, 1316, Brás, de 3ª a domingo, das 10:00 às 17:00 horas, o Memorial recebe visitas individuais e de escolas, cobrando R$2,00 por adulto e R$1,00 por criança até 14 anos, continuando a gratuidade para menores de 7 anos e idosos (acima de 65 anos), de acordo com a Resolução SC 12/99.

Mais Informações:

Endereço: Rua Visconde de Parnaíba, 1316 - Mooca - São Paulo - SP
(Próximo à estação Bresser do metrô - linha Leste-Oeste)

Telefone: Pabx (0xx) 11-2692-1866

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