
A arte para além da arte
Tudo o que venho a escrever possui um choro puro, um bálsamo das faces, uma virtude de ser apenas a doçura de minhas lágrimas. Posso não me desvencilhar da dor, do caos latente, do abismo sem ponto de apoio e, mesmo assim, basta que eu veja uma pintura de Velásquez, basta que minha vida compreenda a solidez da mão do Conde – Duque de Olivares, para que se apodere de meu ser uma consistente paz. Basta ver os olhos ternos de Don Juan Antônio Llorente, de Goya, para que minha alma descubra um denso equilíbrio, pois aquele ponto de luz que vibra naqueles olhos é uma maneira peculiar de saber que estou vivo, é uma maneira peculiar de saber que meus olhos são o eco vigoroso de tão afável olhar. Juan sorri não só de si para si, sorri porque afinal também sorrio, sorri porque nada em tal expressão fica sem humanidade, nada fica sem o calor que Goya soube apreender com tanto ímpeto, com tanta verdade sem afetação.
Assim como posso cambalear de um lado para outro de minha existência e, no entanto, encontrar consolo em Frans Hals, pois faz vívido cada toque do pincel, visto que faz de sua pintura um ato de liberdade, uma conquista do impalpável, um desejo sem fim por uma extrema vivacidade da pele, sem jamais deixar de ser a alegria da matéria, ou seja, pintura. Nada, porém, me traz mais felicidade que ouvir o que o pincel de Rembrandt sussurra sem trégua, pronto para sobrepujar toda miséria humana, de modo a trazer em seu auto-retrato a veemência do inefável, com a insuperável paciência de ser a sombra que jamais finda o mistério de sua alma, com a insuperável paciência de ser a luz que anima o vasto cosmos de seus olhos, que anima o ruminar subterrâneo de seus lábios. Obras que sempre estarão presentes em tão maravilhoso espaço que compõe o Masp. Venham e confiram, sem medo de deslumbramento.
Fábio Padilha Neves
Museu do Ipiranga | MASP | MAM | MUBE | MAC - USP | Pinacoteca
Sob a presença dos olhos
Numa densa exposição, nada se torna mais motivo de deslumbramento que o dom do artista de ir além do previsível, de ficar além do aquém, de ser tudo o que se espera com ardor do mundo. Mal adentro a exposição “O secreto discurso do olhar”, nesse espaço, à meia luz, da FAAP, para compreender o drama da vida no rosto sombrio de um palhaço de Wladimir Siqueira Junior. Na absoluta cumplicidade do pintor com uma verdade sem colorido, sem vestígio de sorriso, sem qualquer brilho nos olhos, marcas irrefutáveis de todo palhaço. Melancolia que reverbera em outros trabalhos, como é o caso da obra de Eduardo Iglesias, visto que faz da Lua um testemunho inconsolável de suas figuras, um testemunho sem fulgor habitual, uma Lua que deixou, sem saber até quando, de ser Lua. Melancolia que já não existe mais no retrato carrancudo de Oswald de Andrade, que Tarsila do Amaral empreende com vigor, como se esculpisse os traços do escritor sem cortes abruptos, sem truculência nos detalhes, sem falta de profundidade em olhar tão expressivo.
Quanto à Portinari, que belo retrato de Pagu! Que lábios mais plenos de sensualidade! Que pele que o Sol doura de prazer! Que olhos tristes que pedem afagos! Que volume soberbo dos cabelos! Que mulher sedutora, com pitada de timidez! E o que dizer da bailarina de Carlos Araújo? Diante de tão irresistível charme, por mais que se procure o melhor ângulo para observá-la, sempre nos toma de assalto, sempre nos seduz, antes mesmo que nosso olhar a domine por inteiro, pois, sem dúvida, há o mistério de não se saber até onde vai a beleza de seu olhar, a beleza infinita de seu sorriso. Outro trabalho de destaque é o auto-retrato de Pancetti... Que olhar firme, de caráter sólido, de impiedoso auto-escrutínio, prestes a dizer tudo sobre si próprio e sobre nós... Da mesma forma, não posso deixar de lado o retrato de Lucy Citty Ferreira, por Lasar Segall, pois transmite uma pureza e ternura rara, a ponto de quase despontar um sorriso pleno de Primavera, a ponto de seu olhar ser o olhar de Beatriz de Dante, a ponto de sua alegria ser o primeiro Sol da alvorada. É por tal qualidade de obras que recomendo a visita desta bela exposição, na FAAP.
Fábio Padilha Neves
Data: de 13 de agosto a 11 de dezembro de 2011
Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP
Endereço: Rua Alagoas, 903 – Prédio 1 – Higienópolis
Horários: de terça a sexta-feira, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h
(Fechado às segundas-feiras, inclusive quando feriado)
Informações: (11) 3662-7198
Agendamento de visitas educativas:
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ou através do telefone: (11) 3662-7200
Entrada gratuita
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O assombro das formas
Qualquer retrospectiva que se preze, qualquer recorte no tempo, qualquer sopro ao longo das palmeiras da existência, demanda uma lucidez que abrange, sem dúvida, a exposição toda de Fernando Lemos, na Pinacoteca, chamada “Lá e cá”. Mal avancei no espaço expositivo, e já fui recebido por uma aquarela, de 1954, que fascina pelo fato de permanecer entre a penumbra e a luz, entre o espanto e a calma, entre o lirismo e o drama. Mais adiante, noto, para meu prazer, que bela linha de luz desenha o perfil deslumbrante de Lygia Fagundes Telles! Que rosto soberbo, altivo e sedutor! Ainda por ali perto, qual não é o suspense que Lemos cria com a fotografia “A mão e a faca-acordo secreto”? Qual não é o sangue latente nas veias? Qual não é o estremecimento entre a mão e a lâmina?
Através de uma busca incansável, o artista testemunha, aqui e ali, a densidade das formas, a voltagem das linhas, a contundência da cor. E não menos maravilhosa é, na pintura, a maneira como conjuga os elementos do quadro como se fossem a vitalidade densa das células, como se fossem a substância impetuosa de um plasma, como se fossem a inebriante dinâmica da paixão, como tão bem mostra o quadro “Abstrato”, de 1965. No entanto, é o quadro chamado “Esperar o silêncio”, da década de 90, que funda a paz de minha alma, que torna a cor, tal como no amor, uma evidência do Paraíso, que alimenta, tal como no amor, meu ideal de Primavera. Do mesmo modo, em “Deixar as coisas claras”, de 1996 e 1997, a cor é a verdadeira manhã do mundo, é o verdadeiro enlevo de uma chuva, é um céu ainda sem nome, é uma estrela já não mais longínqua, é o mar enquanto ainda houver concha e pérola... Não menos interessantes são seus trabalhos mais recentes que, entre a fotografia e a interferência gráfica, pulsam com grande alegria e vigor, com grande emoção e assombro, com grande riqueza plástica e ardor. Se há algum momento autêntico em nossas almas, tal exposição não deve ficar de fora...
Fábio Padilha Neves
Exposição “Lá e cá” Retrospectiva de Fernando Lemos.
De 24 de setembro a 15 de novembro de 2011.
Terça a domingo e feriados, 10h às 18h. R$ 6,00. A bilheteria fecha meia hora antes. Grátis aos sábados.
Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, São Paulo.
Tel: 3324-1000
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Quantas vezes a fé na pintura não me salvou a alma do tédio? Quantas vezes o vigor de uma pincelada não trouxe a beleza reverente do mundo? Não consigo imaginar a arte como um meio de fuga, nem muito menos com certo desespero que toda fuga possui. Não; a arte é sempre o reencontro com a labareda do coração, é aquele vento que ao invés de apagar atiça a chama, é aquele vento que enfuna a vela de uma embarcação ainda não de todo plena de mar. Não há mar sem Cézanne, não há frutas sem Cézanne, não há frescor de arvoredos sem Cézanne, o que há sem Cézanne? É o que me pergunto sem resposta, é o que sonho sem querer um fim, é o que respiro sem saber ao certo quando se extingue o perfume. Cézanne é a minha única tristeza alegre, é a minha única beleza que dói de tão bela, é o meu único Sol que se perde na bruma. Cézanne descobriu na pincelada o poder de silenciar qualquer rumor despropositado da natureza, descobriu que a cor é a primeira confidência do amor e a última esperança de quietude. Mostra em cada detalhe a virtude da paciência, o desejo inaudito por uma franqueza prestes a ser delicadeza, prestes a ser benção.
Qual a pele feminina que fique sem tênue rubor? Qual a rosa que fique sem a felicidade imponderável da cor? Qual não é o insuperável equilíbrio, a insuperável sedução das cores para alcançar com tanta leveza o deslumbramento? Quanto mais se olha um quadro de Cézanne, mais os olhos compreendem o sentido da vida, quanto mais embevecido se olha, mais os olhos desmentem os vícios e insatisfações do próprio olhar. Em Cézanne, ver significa sempre olhar com os olhos ternos pela primeira vez, ver significa sempre olhar com os olhos trágicos pela última vez... Como é possível ver e não existir, ouvir e não existir, ser com toda paixão e ainda assim não existir? Cézanne mostra que não é possível... Cézanne mostra que, sem dúvida, há em todos nós uma verdade que não se cala, um silêncio que jamais deixa de reverberar a intensidade do momento, além de uma maravilhosa oportunidade de ter consolo sem perca de fibras. Cézanne: o fim de jamais haver fim em cada descoberta...
Fábio Padilha Neves
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Alguns pintores são dotados de grande sensualidade, outros de grande dramaticidade e, outros ainda de uma dramaticidade que seduz o tempo todo, que possui inteira gana por tudo o que faz parte da natureza, por tudo o que possui desejo de Sol. Basta pensar em Van Gogh, o pintor do cosmos, o vidente das cores, o incinerador das descrenças, pois, tal como ele, poucos foram os que tinham na ponta do pincel o ardor do mundo, a extrema capacidade de tocar numa tela fremente por cores, a extrema sabedoria entre coração, olhos e mão. Quem, tanto quanto ele, soube ver a vida com tanto deslumbramento? Quem, tanto quanto ele, soube resistir à loucura com o fulgor dos pincéis, com o próprio Sol dos pulmões? Nenhuma sombra de uma árvore, nenhum vigor dos girassóis, vem sem uma fidedignidade do mundo com a alma, como se Van Gogh descobrisse os elementos da natureza à medida que a substância da cor se apodera da consciência dos olhos, como se o tumulto e a estridência do mundo se transmudassem por um momento em algo que só a luz, a cor e o silêncio ainda compreendem da vida.
Van Gogh, mestre da plenitude, maravilha os olhos tanto quanto o amor maravilha o coração. Tua noite, tuas estrelas, tuas lúgubres janelas apreendem o inefável, comungam, sem dúvida, um sentimento de liberdade, um doce desejo sem pudor, sem culpa, sem sequer um momento sem clarividência, pois Van Gogh desperta em cada um de nós um fascínio que, de alguma maneira, já estava latente, como se a rosa precisasse de apenas um leve sopro de brisa para desabrochar de vez... Com efeito, teu olhar nos auto-retratos é como uma chama de vela que pouco se movimenta, mas que muito flameja. Tuas paisagens são um longo sussurro dos anjos sempre prestes a sorrirem, de acordo com a mudança de direção das asas. Tua vida de muita luta teve um desfecho triste, mas, ainda assim, tua fornalha aquece para todo sempre as nossas vidas, tua verdade sempre será um testemunho da humanidade.
Fábio Padilha Neves
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Pablo Picasso | Di Cavalcanti | Botero | Iole de Freitas | Portinari | Victor Brecheret | Rugendas | Almeida Júnior | Benedito Calixto de Jesus | Ismael Néri | Lasar Segal | José Pancetti | Cândido Portinari | Anita Malfatti | Heitor dos Prazeres | Mário Zanini |Tarsila do Amaral | Flávio de Carvalho | Aldo Bonadei | Heitor dos Prazeres | Flávio de Carvalho| Djanira da Mota e Silva | Alberto da Veiga Guignard | Aldo Bonadei
Jazz com toque francês na Fundação Ema Klabin
No próximo sábado, dia 8 de outubro, às 16h30, o Programa Música do Mundo ganha sotaque francês na Fundação Ema Klabin. O músico francês Bernard Fines, acompanhado por Júlio Bittencourt Jazz Trio, interpreta clássicos da música francesa com arranjos de Jazz.
Nascido em Toulouse, Bernard Fines chegou ao Brasil em 1992 para atuar como engenheiro. Em 2003, deu início a carreira de músico profissional. Elogiado pelos críticos Nelson Motta e Roberto Muggiati, seu último CD Sous Le Ciel De Paris conta com participação do Julio Bittencourt Jazz Trio, direção musical de Idriss Boudrioua e convidados especiais como Leo Gandelman.
Estão no repertório algumas das mais renomadas canções da música francesa como “La vie en Rose”, “La Bohème”, “Ne me quitte pas”, “Comme d’habitude” (conhecida na voz de Frank Sinatra como My Way), ”Les Feuilles Mortes” (Autumn Leaves), e “Tous les visages de l’amour”.
Chegue uma hora antes e conheça o acervo do Museu
Antes da apresentação musical o público pode, a partir das 15h30, realizar uma visita monitorada ao Museu e conferir o acervo de 1.545 obras oriundas de quatro continentes e diversas civilizações. Entre elas, telas de mestres da pintura como Lasar Segall, Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Marc Chagall e Frans Post.
Serviço:
Programa Música do Mundo
08 de outubro – Bernard Fines & Júlio Bittencourt Trio | Música Francesa
Horário: 16h30, sem necessidade de reserva.
Visita ao acervo, a partir das 15h30.
Custo: Entrada Franca.
Endereço: Rua Portugal, 43, Jardim Europa - São Paulo.
Mais informações: 011 3062-5245 ou pelo site www.emaklabin.org.br
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Vigor e ardor
Nenhuma presença espiritual se apodera tanto de nós quanto a arte. Tal como o amor, nada nos preenche tanto de ternura, nada nos mostra com maior ímpeto a maravilha do mundo, nada nos faz compreender tão bem o sentido da vida quanto a música. E que belo lugar é a Fundação Ema Gordon Klabin para ser mais uma vez o destino inexaurível dos próprios ouvidos! Quanta beleza das árvores, da quietude do lago, do derradeiro movimento do Sol antes de ser noite, do charme irresistível da ampla casa, do perfume de minha namorada que torna ainda mais sedutora a tarde. E qual não é o prazer de ouvir a delicadeza do piano? Qual não é o prazer de ouvir o ardor do violino? Talvez, por esse motivo, o Sol demorava diante do horizonte, talvez, por esse motivo, o pássaro do entardecer reivindicava a possibilidade de uma flauta, talvez, por esse motivo, o vento frio substituía a falta de um violoncelo.
Qual não é a rara sintonia da Liliane Kans e Fábio Chamma? Qual não é a delícia de ouvir e ser apenas enlevo, de fechar os olhos e ser apenas memória, de possuir as mãos de minha namorada e ser apenas amor? Qual não é a alegria de saborear a melodia do piano, de saborear o que há de picante em algumas notas, de refrescar o paladar com a substância inefável do violino? Qual não é a doce melancolia, a comunhão da paisagem com a alma, a emoção de ser plena existência? Como não se embevecer com a própria respiração, como não se embevecer com o desejo por cada nota, como não se embevecer com a serenidade dos arvoredos, enquanto tudo é a harmonia do cosmos? A música, de fato, foi feita para o mundo, o mundo foi feito, de fato, para a música: não percam as próximas apresentações...
Liliane Kans e Fábio Chamma - Nos Tempos de Mozart
Formados pela Unesp, os intérpretes trazem ao público instrumentos que são cópias fiéis de um Fortepiano modelo Stein de 1784, antecessor do piano moderno, construído por César Guidini; e de um violino com cordas de tripa e arco clássico, do século XVIII. O repertório apresentado pelo duo é característico de tais instrumentos, com composições de Mozart, Beethoven e Johann Schöbert.
Fundação Cultural Ema Gordon Klabin
Rua Portugal, 43 | Jardim Europa
São Paulo | SP | Brasil
CEP 01446-020
Tel.: (11) 3062-5245
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Liliana Porter: diante do vazio
Através de uma obra de arte, nós somos parte do mundo, nós somos o que o mundo ainda desconhecia de si mesmo, nós somos o que faltava ao mundo de mistério. Tiro tais conclusões através da exposição "The enemy e outros olhares oblíquos", da artista Liliana Porter, na Galeria Luciana Brito. Qual não é a beleza sutil dos trabalhos? Qual não é a sensação de amplo espaço, de ampla solidão ativa, de ampla alegria lírica? Qual não é o ardor de inserir pequenos objetos que criam uma atmosfera de sonho? Liliana Porter descobre, durante o próprio labor, um prazer sem tamanho por cada um dos elementos do quadro. E o que parece jogo do acaso é, na verdade, fruto de muita meditação e emoção, é fruto de uma alma que se deslumbra com o mundo e suas possibilidades, é fruto de perceber o vazio da tela sem ser vazio de significado, de perceber o silêncio da tela sem que seja um silêncio inerte, de perceber, na mínima inserção de algo, o dom para a felicidade.
Qual não é a intimidade com diversos meios plásticos? Qual não é a intimidade com a delicadeza da foto em preto e branco, rica em doces nuances? Qual não é a intimidade com o tecido bordado, pleno de sugestões e poesia? Qual não é a intimidade com o vídeo, denso em sabor e júbilo? Quanto mais tempo perto da beleza de tais obras, mais longe fico da pressa cotidiana, mais longe fico da impaciência, mais longe fico do tédio. Portanto, é uma exposição que vale a visita, que vale a oportunidade de ser um pouco mais de si mesmo, que vale a oportunidade de ser um pouco mais dos outros. Venham e confiram.
Luciana Brito Galeria. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Tel. 55.11.3842.0634. Rua Gomes de Carvalho, 842, Vila Olímpia, São Paulo, Brasil. 21.set - 22.oct /
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Ansel Adams Richard Avedon Robert Frank
Drama e beleza através das lentes
Exposição "Extremos" no Instituto Moreira Salles reúne grandes da fotografia mundial
Exposição "Extremos"
Instituo Moreira Salles – R: Piauí, 844 – Higienópolis/SP
Quando: Até o dia 27/11 – de terça a sexta, das 13h às 19h e sábado e domingo, das 13h às 18h
Grátis
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Saul Steinberg: a sabedoria do traçoNão há exposição de renome que não traga, com vitalidade, a essência de um artista, uma beleza que se renova a cada imagem, uma capacidade legítima de ver o progresso das obras, de ver a cada passo o frescor e qualidade que se somam, como se fosse necessário uma sequência de árvores para sentir toda presença do ar dos bosques. E é, sem dúvida, o que penso quando vejo a exposição "Saul Steinberg – As aventuras da linha", na Pinacoteca. Raro é o artista que consegue ir de um tema ao outro com tanta sabedoria, com tanta sensibilidade para o pormenor, com tanta acuidade para perceber a atmosfera ampla e variada do todo, com tanta alegria para interpretar o cotidiano de modo lúdico, com tanta energia no mínimo traço, na mínima caracterização de um personagem, na mínima possibilidade de ver humor em tudo, humor que apreendeu tão bem na cidade americana que lhe acolheu: Nova Iorque.
É difícil imaginar outra cidade que se adaptasse tão bem a seu traço, é difícil imaginar outra cidade que fosse dotada de tanto dinamismo cultural, de tanta latente modernidade, de tantas manias e modas, como toda grande cidade. Saul, através do traço enérgico, percebia tudo isso em Nova Iorque, sempre com a qualidade inata de todo mestre, que sabe ver o passageiro ou o duradouro, a ponto de cristalizá-lo no tempo, a ponto de tornar o passado eterna memória. E quem acha que apenas encontrará o artista urbano, vai se surpreender com os cowboys de Saul, com as paisagens solitárias do Oeste americano, com a vastidão marcada pelas ferrovias. Não há condição humana, não há paisagem ou cidade que escape de seu peculiar traço, não há simples foto que não se torne matéria-prima para sua criatividade, não há situação que não encontre motivo sedutor para se embeber de vida. Saul Steinberg se apodera do mundo com muita convicção, com muito lirismo, com muita gentileza quase ingênua, não fosse, por certo, a fina ironia, com muito amor para identificar, até mesmo, no mais simples inseto, um testemunho curioso da natureza. Vale, portanto, uma visita, na Pinacoteca, para se descobrir um trabalho tão original como é de fato e, sem dúvida, aprimorar a própria percepção da realidade.
Fábio Padilha Neves
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